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historiapolicial

Page history last edited by Iris Elisabeth Tempel Costa 12 years, 7 months ago

 

A família Alves está vivendo um drama: Sílvia, a sobrinha predileta, desapareceu, desde a noite anterior! Eles procuraram a policia mas foram informados que somente depois de 24h podem de fato considerar o desaparecimento de Sílvia e começarem as investigações.

 

Os Alves aguardavam um toque do telefone ou uma batida na porta... algum sinal que pudesse trazer notícias de Sílvia. Vinte quatro horas começavam a se transformar em uma eternidade.

De todos os presentes apenas o caçula do grupo verbalizou a dúvida que os acompanhava: " Mas se ela vai casar amanhã, por que sumiu desse jeito, hein?"

Ninguém respondeu. Apenas Leila, a tia, fez um movimento de cabeça, indicando confusão. Lembrava do vestido de noiva que fora deixado sobre a cama de Sílvia. Sobre ele, um papel com os números 25-76-81.

A campainha da porta tocou e, imediatamente, Leila e o marido se dirigiram à entrada da casa.

Ao abrir a porta, surpreenderam-se ao verificar quem era: Júlio, o noivo de Sílvia, que chegaria só momentos antes da cerimônia e que ainda não fora informado do acontecido. Trazia uma maleta em uma das mãos, um olhar intrigante e, na mão direita, um papel com os números 25-76-81. A primeira coisa que fez, ao entrar na casa e entregar o papel para o tio de Sílvia, foi comentar: "Realmente, vocês não sabem de nada."

 

Claro que eles não sabiam. Sílvia e Júlio não contaram nada para ninguém. Tramaram tudo em silêncio. Combinaram cada detalhe, cada passo. Só os dois sabiam da existência dos números e do que eles significavam.

 Ao entrar na sala, passos arrogantes desafiaram a família. Júlio observou, vagarosamente, os rostos silenciosos. Fixou o olhar em Leila e comentou: "Eu sempre soube de tudo. Chegou a hora das contas serem pagas..."

 

Leila, ao perceber o que Júlio poderia estar dizendo, sentiu um forte mal estar, ficou pálida e desmaiou.

Os números sobre o vestido, a falta de notícias, a chegada antecipada de Júlio, seus comentários, o olhar acusador para Leila... Todos estes fatos se transformavam num terrível quebra-cabeças nos pensamentos do Sr. Alves.

 

Neste momento, Pedro o filho caçula, entrou na sala afobado, gritando : - Veja papai encontrei este bilhete, a letra é da Sílvia, leia!

Ao perceber que Leila estava voltando a si, o Sr. Alves guardou o bilhete rapidamente no bolso. Sua esposa, ao recuperar os sentidos, encarou Júlio e, de forma confusa, falou "Meu Deus! Onde estou?"

O Sr. Alves não conseguiu disfarçar o tremor de suas mãos e, muito menos, ocultar o bilhete que, naquele momento, caíra de seu bolso, bem aos pés de Júlio.

- O que é isto? - perguntou Leila.

O Sr. Alves, nervoso e gaguejante, tentou dar uma boa desculpa. Porém, Júlio, mais do que depressa, informou ser, aquele papel, um bilhete que Sílvia deixara.

Leila, um tanto relutante, pediu que seu marido lesse, pois poderia conter uma pista do desaparecimento. Sem muita escolha, ele abriu o papel e preparava-se para iniciar a leitura quando foi interrompido pela campainha do interfone. Era o zelador do prédio informando que um entregador estava subindo ao apartamento da família.

Leila meio zonza dirigiu-se à porta e abriu-a, sem raciocinar, guiada por um impulso e gestos automáticos. Todos ficaram surpresos ao ver um menino com um embrulho nas mãos. Era um pacote preto e pequeno com um laço de fita rosa, parecendo um presente, entregou-o para Leila e saiu sem dizer uma só palavra, "mudo como chegou".

Fechando a porta, Leila retornou à presença dos demais que observavam a cena sem dizerem absolutamente nada.

Como um sino rompendo o silêncio, Alves retrucou:" Era só o que estava me faltando, um embrulho. Quanto mistério, de um lado... números...e agora um embrulho... "

Neste meio tempo, Júlio pegou o embrulho da mão de Leila e, com ar de quem está pedindo licença para abrí-lo, rasgou-o sem nenhum vestígio de paciência. A caixinha que ia se mostrando tinha o tamanho de uma caixa de creme dental, dessas de 90g.

Júlio mais uma vez parou, relutou por alguns segundos e a abriu. Nela estava uma chave e, junto com ela, um bilhete, escrito com a mesma letra do bilhete encontrado no quarto de Sílvia, com as palavras: "SINTO MUITO, ESPERO QUE ESTA CHAVE POSSA CONFORTAR-LHES E AMENIZE A ANGÚSTIA DE TODOS".

 

Aquela chave era de um quarto de hotel onde estava escondida Sílvia? Teria ela desistido de casar? Teria decidido ficar um tempo afastada?

A pressão pela qual Sílvia estava passando fez com que tomasse esta decisão? Será que todos aqueles telefonemas misteriosos que Sílvia vinha recebendo há um bom tempo eram a resposta para seu desaparecimento? Estaria vivendo um torturante dilema e por isso achou melhor se afastar um pouco para que pudesse resolver o que fazer? Tomada esta decisão, teria Sílvia deixado algumas coisas importantes em um quarto de hotel? Foi ela quem pagou o menino para que fosse até sua casa entregar a caixa?

Inúmeras questões passaram, de modo fugaz, pela mente da esperançosa tia e a atenção de todos, antes voltada para o bilhete que Pedro trouxera, desviou-se para o embrulho recém aberto.

Embora a complexidade das informações, o labirinto de situações, o senhor Alves tinha a certeza de que desatar o nó deveria, no mínimo, reservar alguma surpresa. Este nó deveria contemplar a procura da outra ponta da corda. De um lado, o desaparecimento de Sílvia e de outro os três números, a chave e o bilhete.

Numa tentativa de averiguar se intuição e realidade se entrecruzavam e de posse da chave, o Sr. Alves não teve dúvida, despediu-se brevemente de sua família e saiu.

Resolveu ir até o quarto do hotel, pois na chave identificara o logotipo HS e o n° 39, para que pudesse descobrir algo mais concreto. Raciocinou que a sigla HS, seria do nome do hotel, neste caso o Summer's, o único com este nome na cidade.

Ao se dirigir para o hotel, foi até a recepção e perguntou se havia alguém hospedado com o nome de Sílvia Alves. Disseram-lhe que não. Perguntou-lhe quem estava hospedado no quarto 39. O recepcionista respondeu que o quarto estava alugado para um importante empresário e que este comparecia ao hotel uma vez por mês. Mas infelizmente não poderia informar mais nada sobre este senhor, pois havia um contrato com o hotel onde era solicitado sigilo total em relação a seus dados pessoais.

O recepcionista ficou intrigado com as perguntas do Sr. Alves e chamou a polícia.

Sem perceber o Sr. Alves afastou-se rapidamente e resolveu ir até o quarto. Encontrou-o numa grande desordem e ficou boquiaberto com o que viu, parecia que alguém já estivera por ali a procura de alguma coisa. Havia muitas roupas espalhadas e jogadas ao chão, caixas abertas e papéis espalhados. Espantado com tudo que via, sem saber o que concluir e sem saber por onde procurar respostas a suas perguntas entrou em desespero. Começou a pensar na sua vida, em tudo que já passara. O que enterrara nos refúgios de sua mente retornava de forma impactante:os atos de loucura de Leila... Leila sempre fora meio estranha, desde sua infância, como relatava sua mãe. Não gostava de brincar com outras crianças, também não gostava de doces e balas. Na escola, na hora do recreio, ficava só observando os colegas e não tinha muitos amigos, a não ser Joana, a quem dedicava atenção especial. Fizeram o primeiro e o segundo graus juntas. Quando entraram para a faculdade tomaram rumos diferentes e a separação das amigas foi inevitável, causando certo trauma a Leila.

Foi nesse período que eles se conheceram. Lembra que o namoro foi curto e logo estavam casados. Durante todos estes anos escondia dele a amizade e os sentimentos que nutria por Joana. As coisas nunca ficaram bem claras, e ainda hoje, na cabeça de Leila, as coisas não se resolveram. Ele podia perceber bem estes conflitos da esposa, pois a mesma tinha muitos momentos de tristeza e se desligava por muito tempo em pensamentos como se estivesse em outro lugar. Mas qual seria a ligação entre esses fatos e sentimentos com o desaparecimento de Sílvia?

Sílvia fora deixada aos cuidados da família Alves, muito antes de sua cabeça alcançar a altura dos joelhos de seu tio. Durante a infância e adolescência , de seus pais soubera apenas que eram separados e que, como ativistas de movimentos sociais, optaram por não manter nenhum tipo de vínculo familiar que, por ventura, dificultasse suas missões de vida.

E fora numa manhã fria de outono que, levada por sua mãe Joana, Sílvia conhecera as pessoas a quem chamaria de tios, mesmo sabendo, mais tarde, que seu verdadeiro parentesco era apenas afetivo.

E, talvez, naquela época, naquele local tenha começado a estranha relação com o primeiro, dos três números indicados no papel: fora em um dia 25 que Joana, 25 anos, levara sua filha até a família Alves. Vinte cinco de abril era a data de nascimento das amigas Leila e Joana, vinte e cinco de março fora o dia em que Sílvia nascera. Segundo Leila, 25 sempre fora seu número de sorte. E na véspera de completar vinte cinco anos e casar com Júlio, Sílvia desaparecera.

Nesse momento os policiais entram no quarto e prendem o Sr. Alves. Surpreendido em meio a suas reflexões, não reagiu a prisão. Sentia-se inconformado, confuso e tenta com dificuldade justificar as autoridades sua presença no local.

No caminho para delegacia pensava em tudo que estava ocorrendo com sua família. Como entender as pessoas? E o misterioso Júlio, como aceitar o modo em que entrou na vida de Sílvia. Naquele jantar onde fora apresentado juntamente a histórias desconexas de um suposto encontro. Segundo Sílvia conheceram-se na Faculdade, porém Júlio dissera que esbarraram-se numa lanchonete e foi ali que tudo começou. Como juntar os pedaços de um caso silencioso e discreto? Três meses de namoro e um anúncio entusiasmado e cheio de paixão proclamava a união do casal. Todos estranharam a pressa que demonstravam em unir-se. Sílvia justificava a ansiedade dizendo-se apaixonada. A família Alves abolia qualquer manifestação preconceituosa, mas a diferença de idade entre os dois era enorme.

Parecia que eles tinham laços mais fortes do que todos poderiam supor. Júlio desconversava quando questionado sobre sua família, não tinha convidados para a cerimônia e não parecia preocupado com os gastos da festa. Seu trabalho era muito suspeito, não tinha horários fixos e nem sempre estava em seu escritório.
O que então Júlio quisera dizer ao entrar na casa da família Alves quando pronunciara a frase "Realmente, vocês não sabem de nada", seguida da afirmativa "Eu sempre soube de tudo. Chegou a hora das contas serem pagas..." ?
E aquele desmaio de Leila, veio em muito boa hora. O que será que ela estava querendo evitar? Na verdade isso impediu de Julho concluir o que tinha se proposto com sua visita. E quanto aos números e chave... seriam somente informações desencontradas?
Talvez fosse a hora de Alves e Leila conversarem novamente sobre as mentiras que foram guardadas dentro daquela casa e que podem ter sido o real motivo do desaparecimento de Sílvia. É preciso que Leila comece a contar qual é este segredo que ela esconde desde sua juventude. Segredos que talvez envolvessem Sílvia e que a faziam prisioneira, por ser considerada a sobrinha predileta. Provavelmente sem suportar mais este fardo acabou desabafando com Júlio? Até que ponto este rapaz está envolvido em tudo que está acontecendo com Sílvia?
Já era tarde e o Sr. Alves começou a preocupar-se, ninguém havia chegado para libertá-lo. O que estaria acontecendo? Esta prisão seria parte do plano?
Foi neste momento que um agente penitenciário veio ao seu encontro com a ordem de leva-lo até o delegado. O mesmo queria ouvir seu depoimento.
O sr. Alves nervoso em frente ao Delegado, começa relatar o acontecido, os fatos foram sendo contados desde o início do desaparecimento de Sílvia, o delegado olha intrigado sem entender muito a história, conclui que estão frente a um quebra cabeças que precisa ser montado. Isso leva a crer que a investigação deva ser aprofundada, chama o investigador Adamastor e lhe passa uma tarefa especial ir até o Hotel Summer's e descobrir a identidade deste suposto empresário que alugou o quarto 39 e que comparece no local uma vez ao mês e também aproveitando a ida até o Hotel, ele deveria fazer uma perícia no quarto, para tentar encontrar alguma pista que aponte o paradeiro de Sílvia. O investigador Adamastor era um homem sisudo, olhar vivo, prudente e de poucas palavras. Denotava ser experiente e muito competente, isto trouxe confiança e alívio para o Sr. Alves. Pensou estar próximo de descobrir o que aconteceu e onde está agora Sílvia. Adamastor confirmou ter entendido o caso e saiu rapidamente da sala, rumo as investigações. Neste momento o Delegado se volta para o Sr. Alves com ar intrigado e lhe pede para que conte tudo o que sabe sobre Júlio. O Sr. Alves ficou paralisado com a pergunta. Falar sobre alguém que se conhece apenas há 3 meses ... é possível conhecer de fato alguém em tão pouco tempo? Muitas vezes se vive há anos ao lado de uma pessoa e esta pode nos surpreender a qualquer momento, é esta sensação que ele tem a respeito de sua esposa Leila. Neste momento um profundo sentimento de culpa caiu sobre ele. Como pode deixar sua querida Sílvia ficar noiva tão rapidamente de um estranho? E se Júlio está ligado com atividades ilegais e perigosas? Agora pode ser tarde demais para evitar uma tragédia! Onde estará Sílvia agora? Todas estas questões deixaram o Sr. Alves atordoado. O Delegado percebendo o drama interior do Sr. Alves, lhe ofereceu um café e perguntou :
_ O senhor desconfia do noivo? Onde mesmo o casal se conheceu?
Senhor Alves de súbito responde:
_ Estou confuso! Cada um apresentou uma versão diferente do primeiro encontro! Não sei por que, mas esta história é misteriosa desde o início. Confesso que Júlio é um pouco esquisito, não sei como ganha a vida, mas acredito que Sílvia não se envolveria com ele se soubesse algo grave a seu respeito. Porém, pode ter descoberto algo às vésperas do casamento. Daí minha preocupação: será que ela está escondida por vergonha e medo?Mas medo do quê? Ou resolveu colocá-lo contra a parede, e neste caso, ele pode ter sumido com ela? Meu Deus! Será que ele é um monstro? Mostrou-se nervoso, mas ao mesmo tempo dono da situação.
Enquanto o Sr Alves dividia tudo que sabia com o delegado na esperança de conseguir ajuda necessária para desvendar todos estes mistérios, longe dali, nos arredores da cidade, Júlio, depois de sair da casa de Sílvia, entra em uma pensão simples e dirige-se a um dos quartos. A sua espera está uma pessoa muito misteriosa que o recebe de costas, evitando mostrar seu rosto. Ele aproxima-se dizendo:
- Estive conforme combinamos em casa de Sílvia. A família está inconsolável. O Sr Alves está seguindo as pistas que desejávamos e logo deverá saber um pouco mais a respeito. Tudo indica que teremos sucesso neste nosso plano. Logo estaremos com tudo esclarecido e resolvido. Chegou a hora do acerto de contas. E as coisas por aqui, como estão? Já pensaram no próximo passo?
Júlio tinha em torno de quarenta e cinco anos, cabelos castanhos com leves fios grisalhos, pesava em torno de setenta e cinco quilos e olhava a todos sempre com muita prepotência e arrogância, talvez por sua altura de 1,90 m. Sempre demonstrando muita segurança em suas palavras e atitudes, pois se acostumara a deter sempre as rédeas de toda e qualquer situação. Agora, era chegada a hora de atormentar bem devagar a vida dos Alves, e para isso havia vasculhados suas vidas , principalmente a de Leila. Seu plano estava indo as mil maravilhas, principalmente após constatar pessoalmente a tentativa de Leila em desviar o marido das possíveis revelações que poderia fazer, no momento em que entrara em sua casa com a maleta na mão. Apesar do Sr. Alves ter ido bem próximo de uma possível descoberta, não conseguira ainda fazer toda a ligação sobre os números, pois o número 39 e a chave também faziam parte daquele quebra cabeças, só que não da forma como ele havia pensado. Júlio precisava, agora dar outra pista, de que os dois últimos elementos que apareceram faziam parte de um segredo de cofre, que estava naquele hotel. Por isso insistia tanto com a pessoa misteriosa em qual seria o próximo passo.
No entanto, havia um fato intrigante que a Família Alves desconhecia: Júlio havia sido perseguido, preso e torturado durante o período ditatorial no Brasil.
Àquela época Júlio, com apenas 19 anos, estudante de medicina, reunia-se clandestinamente com seus comparsas em um galpão situado na chácara de seus tios. Eis, que entre os "subversivos" encontravam-se os pais Sílvia, que naquele tempo já eram namorados.
Ainda hoje Júlio remoía os sentimentos experimentados durante as sessões de tortura, as marcas na alma ainda eram muito fortes... E lá no seu íntimo Júlio nutria uma imensa raiva e um desejo de vingança: alguém, de alguma maneira deveria pagar pelo sofrimento passado. E esta pessoa era Sílvia!
Sim, isto mesmo.
Júlio só fora submetido à tortura devido a uma traição por parte de um único indivíduo, o pai de Sílvia.
Na delegacia a conversa entre o delegado e o Sr. Alves continuava. Este último atordoado com tantos acontecimentos e constatações que emergiam da situação. Tentava inutilmente encontrar uma relação, uma razão, algum indício que esclarecesse pelo menos parte desta situação, mas estava exausto com tantas emoções. Foi quando o delegado solicitou ao seu auxiliar que o encaminhasse para uma sala no departamento de policia para que ele descansasse. Tudo indicava que o sr.Alves era vítima também de algum plano ardiloso restando para o delegado descobrir quem e qual o objetivo do mesmo, e principalmente o paradeiro de Sílvia.
Sozinho na sala, recostou-se em um velho sofá para tentar aliviar a tensão que tomava conta de todo o seu corpo e tentou buscar na sua lembrança algum detalhe que pudesse ajudar a elucidar todo este mistério.
Meio a tudo isso resolve relembrar as coisas desde o inicio. Quando sua esposa entrou no quarto da sobrinha para lhe dar boa noite como sempre fazia,com muito carinho e atenção. Sua cama estava intacta. Sobre ela apenas seu vestido de noiva e o maldito papel com números ainda misteriosos. Desceu correndo me chamando para contar o que estava acontecendo.Tentamos falar com ela pelo celular mas seu telefone estava desligado.Tentei acalmá-la . Quem sabe Sílvia tinha saído com as colegas da faculdade para se divertir e se despedir da vida de solteira. Opção que Leila descartou porque a sobrinha já tinha feito sua comemoração na semana passada. Fomos dormir quando consegui acalmar Leila a esperar até a manhã seguinte, pois acreditava não estar acontecendo nada que Sílvia não pudesse nos explicar quando chegasse.
Na manhã seguinte tudo continuava da mesma forma. Pensava muito no que significaria aqueles números e no motivo que Sílvia teria para colocar seu vestido sobre a cama. Resolvi entrar no seu quarto e procurar por mais algumas pistas. Seus armários e gavetas como sempre estavam muito organizados. Não era difícil encontrar e ver tudo o que ela possuía, tinha apenas sobre a escrivaninha uma caneta e um bloco de notas fora do lugar, sua lixeira estava cheia de papeis amassados...
-Como não percebi isto? Deveria ter me detido melhor e vasculhado a lixeira.
Com o desespero de Leila e com minha mente fervilhando de tanta preocupação procuramos ajuda da Polícia, mas fomos informados que teríamos que esperar as benditas 24 horas. Foi com este clima todo que recebemos Júlio em nossa casa. E Pedro, meu filho caçula, agitado... Eu não dei importância! Meu Deus!!Me trouxe um papelucho, que não dei importância. Pensei...que fosse algo dele para me acalmar! Bem na hora que o zelador bateu avisando da chegada de um entregador.
- Onde coloquei este bilhete? Não lemos!!!!
Começou a procurar nas suas roupas, trêmulo e muito nervoso. Encontrou no bolso interno de sua jaqueta. Abriu e leu:
-"Titio, quando lerem este bilhete, talvez seja tarde demais!!!! Descobri algo que é assustador! Ninguém é o que aparenta ser... Sei que lembrarás do que aconteceu no verão de 76... Eu não era nascida, mas a situação política era".... O bilhete acabava aí... o desespero do Sr. Alves só aumentava... Ali estava mais um número sendo desvendado...76 era relativo ao verão de 76!!!! Mas o que acontecera de tão grave no verão de 76? O Sr. Alves não se lembrava de nada!!!! Perguntar à Leila estava fora de cogitação, pois seu estado nervoso era tal, que a família fora obrigada a sedá-la....
Enquanto pensava em alguma maneira de descobrir o que acontecia, ouviu um princípio de tumulto na parte da recepção da delegacia....Não quis sair de onde estava, tamanho era sua exaustão, por isso ficou perplexo quando o delegado abriu a porta e falou:
- Preciso que venhas até minha sala.Temos que fazer um reconhecimento.
Alves, cambaleando por ter levantado ás pressas, seguiu o delegado até o lugar indicado. Lá chegando encontrou a presença de um homem muito bem vestido, de boa estatura, moreno e com uma fisionomia muito dura, gélida. O delegado perguntou ao sr.Alves:
- Você o conhece?
- Este olhar não me é estranho. Não sou muito de guardar nomes, mas sou bom fisionomista. Se você é quem estou pensando, os anos lhe foram generosos, pois continua o mesmo se desconsiderarmos os cabelos grisalhos. Este sr. no período da ditadura fazia parte do grupo de ativistas. Período difícil e doloroso aquele. Sei destes dados porque na época namorava minha esposa e um dia quando saimos o vi na rua junto com outros estudantes e Leila ficou muito agitada, pois pensava ter visto Joana junto com o grupo. Forçei-a a falar quem eram aquelas pessoas que a descontrolaram tanto. Ela disse-me que eram um grupo de subversivos e que a amiga talvez estivesse com eles.
- Mas delegado o que este sr. tem haver com o que está me acontecendo?
-Este cavalheiro é o ocupante do quarto 39. Ele deve ter muitas coisas para nos dizer.
O senhor era imponente, com uma silhueta esguia e de bigodes bem aparados, com uma aparência serena, próprio de quem não tem nada a temer, afirmava com voz firme e grave: jamais vi este senhor em toda minha vida, me hospedo neste hotel no quarto 39, já faz muitos anos, sempre que venho à cidade para cuidar de interesses, não tive nenhuma participação durante a ditadura no país. O telefone toca, o delegado constrangido pede desculpas ao senhor, e o dispensa, o senhor pode ir, qualquer coisa mandamos lhe chamar, por tanto não se ausente por estes dias. Senta-se em sua mesa pensativo...

O sr. Alves, ainda ali, interrompe os pensamentos do delegado para lhe mostrar o bilhete que leu enquanto estava deitado no sofá daquela sala.

Enquanto lia, o delegado muito atento se mostrava sério e pensativo. Pede ao Sr. Alves que vá descansar que ele precisa colocar as idéias em ordem.
Ao retomar os seus pensamentos, o Sr Alves lembra-se de quando Sílvia veio para fazer parte de sua família. Ainda muito pequena e frágil, com pouco desenvolvimento para sua idade, demonstrava ter passado muitas dificuldades com os pais enquanto ativistas. Seria muito difícil ter sobrevivido aos horrores que a ditadura impôs.
Mesmo diante de tantos desagrados na vida familiar de Silvia, ela sempre fora uma menina meiga, sorriso largo e sensível.
Sr. Alves tinha um carinho muito especial por Silvia e às vezes até esquecia de que Silvia não era sua verdadeira filha. Sentiu saudades do tempo em que a menina corria para seu colo e pedia com seu sorriso simples e seu olhar ingênuo que contasse mais uma de suas histórias.
Esteve perdido em seus pensamentos por horas a fio, até que retornou a realidade e ficou preocupado porque o tempo estava passando e o mistério do desaparecimento de Silvia persistia. Não conseguia lembrar de nada que pudesse desvendar o caso. Lembrou de uma antiga namorada, no qual seus pais não permitiam o namoro, pois a moça era de família tradicional da cidade e ele era apenas um simples estudante. Mas o que Clarisse teria ver com com tudo isso, se após o rompimento de seu namoro nunca mais teve notícias da moça? Leila sabia de sua paixão por Clarisse na época de sua juventude e isso sempre lhe causou ciúmes, ela era uma moça linda de cabelos pretos e longos e olhos amendoados, apesar de terem se casados, Leila sempre temeu por este amor que o tempo afastou.

Alves sentiu uma enorme necessidade de procurar Clarisse, para quem sabe, olhando em seus olhos, pudesse lembrar de algo que ajudasse a elucidar o mistério...

Como iria se afastar sem que Leila perceba? Clarisse tem de fato, relação com esses fatos?

Sr. Alves um homem honesto, fiel a sua esposa... pensou... pensou e descobriu como ir procurar Clarisse sem levantar suspeitas da esposa. Sabia o endereço de sua ex, pois sempre acompanhava as notas em jornais, colunas sociais, porque estavam sempre em pauta, por serem ricos e bem sucedidos.

Tratou logo de ter uma viagem de negócios, tudo sem suspeitas... pois Clarisse morava em outra cidade, bem distante dali, e precisaria pernoitar fora.

Tudo pronto para a viagem...lá se foi ele...com várias questões em mente....será que Clarisse o receberia? Qual seria sua reação??

Durante a viagem...enquanto o trem passava por vales e montanhas, Sr. Alves lembrava do namoro conturbado que viveu com Clarisse. Eram apaixonados um pelo outro, lembrou que quando resolveu se afastar, Clarisse chorava muito...e que entre soluços falou: - Por favor não me deixe...eu preciso de você... não posso lhe contar agora... não tenho certeza... preciso esperar o momento certo....Mas ele naquele momento não quis escutar o que Clarisse tinha para lhe falar,estava muito chateado, pois a família dela fazia de tudo para separá-los. O coração de Sr. Alves batia muito forte, pois estava ansioso para rever Clarisse e poder ouvir o que não quis escutar naquela época. Teria essa revelação algo a ver com o sumiço de Silvia?

Chegando à pequena cidade onde morava sua antiga paixão, Sr. Alves procurou um telefone onde pudesse manter contato com Clarisse, pois afinal de contas não poderia chegar assim, de uma hora para outra, sem uma explicação.

O telefone chama e junto com ele seu coração aos pulos, como se fosse saltar pela boca. Do outro lado uma voz doce e suave responde:

- Alô!

- É a Clarisse? Aqui é o Alves, tenho muita urgência em lhe falar, será que é possível?

Aquele silêncio parecia ser eterno... Clarisse parecia levar um choque. Como, depois de tantos anos aquele homem ainda mexia tanto com suas emoções?

-Sim é possível. Onde?

Lembranças da despedida, onde tantas coisas ficaram por ser ditas. Como Alves reagiria diante de tais revelações?

-Estou próximo do Café da esquina da Rua das Flores, te encontro lá, pode ser?

-Estarei aí em alguns minutos.

Os pensamentos de Clarisse pareciam desconcertados. De onde tiraria coragem para remexer num passado onde tantas tristezas e amarguras marcavam cada dia de sua vida?

Alves a aguardava com tamanha ansiedade e aflição. De repente entra aquela mulher, com cabelos arrumados,vestindo um traje impecável, segurando uma pequena pasta. Ele rapidamente levanta-se, como querendo ser identificado pela antiga paixão. Os dois trocam um demorado aperto de mão e um olhar penetrante como na tentativa de entender o porquê de tamanha pressa em lhe ver depois de tantos anos.

Sr. Alves conversou com a amada por longas horas, contando-lhe o motivo do encontro e que este fato estava com muitas interrogações, como um quebra-cabeças faltando peças.

-Por isso te procurei para podermos conversar novamente e sentir a calma e serenidade de quando éramos jovens e ficávamos por horas e horas conversando e tentando achar saídas para nossos conflitos.

-Também gostaria de pedir desculpas por não te ouvir naquele momento, onde nos vimos pela última vez.

-Sabe Alves, por tantos anos carreguei sozinha a dor de um amor que ... por algum motivo não deu certo...Mas decidi que não posso mais guardar esse segredo que tão logo estará sendo revelado... Com certeza mudará o rumo das nossas vidas...

-Quando você me abandonou, carregava um filho seu no ventre, mas minha família nunca aceitou o fato de ter uma filha tão jovem, com um belo futuro, carregando um filho sem pai. Mandaram-me para fora do país, onde tínhamos alguns parentes até que tivesse a criança. Combinaram com meus tios que assim que o bebê nascesse, eu voltaria e retomaria minha vida, como se nada tivesse acontecido. Por vários anos tentei encontrar alguma pista do paradeiro dessa criança... Era uma menina e o resto foram tentativas em vão.

Sr. Alves quase que não conseguindo acreditar em tudo que acabara de ouvir perguntou:

-Em que dia essa criança nasceu?

-Lembro-me como se fosse hoje... Numa tarde fria do dia 25 de março de 1981.

Sr.Alves, impactado pela informação não consegue proferir as palavras.

Clarisse ao perceber o espanto de Alves pergunta:

- O que houve Alves, você não está passando bem?

Alves tentando se recompor, responde:

- Estou bem...

-Olha Alves, quando me casei, logo contei a meu marido sobre tudo que havia acontecido no passado e desde então estamos tentando descobrir alguma pista que nos leve ao paradeiro da menina. Aqui estão os papéis que o detetive que contratei me entregou na semana passada.

-Parece que ele já tem alguma pista da menina. Naquele momento Alves sentia que era chegada a hora de lhe contar toda a verdade de seu fatidico passado, mas ao mesmo tempo não tinha coragem de ler os papéis que estavam em suas mãos. Permaneceu alguns minutos calado e com um olhar fixo para Clarisse que esperava ansiosa parada em sua frente.

Naquele momento uma vida passou em sua mente... e porque Clarisse não o procurou para contar-lhe da existência da filha! Será que o desaparecimento de Silvia poderia estar ligado com seu passado e não com o de Leila?

Alves sentiu sua visão ficar nebulosa, a cabeça começou a rodopiar, não sentia mais suas pernas e mãos. Assustado falou:

- Clarisse, sinto-me estranho, acho que vou desmaiar.

Ela esperou calmante, até o homem cair imóvel no chão. Logo em seguida, homens com vestimentas brancas juntaram o corpo de Alves e levaram até uma ambulância que estava surpreendentemente estacionada na frente do Café, parecendo estar a espera de alguém.

Clarisse já tinha tudo planejado e nem se abalou, no fundo já esperava essa reação por parte de Alves, pois quem foi capaz de fazer o que ele fez no passado, não poderia reagir de outra forma.

Calmamente seguiu a ambulância, agora ela iria obter o que mais desejava e esperava. Não podia estar enganada na sua intuição.

Já no hospital, Clarisse aguarda ansiosa o laudo dos médicos e o despertar de Alves que dorme sob efeito da medicação.Clarisse passa a noite no hospital ao lado de seu grande amor do passado. Pela manhã, cansada e dolorida por ter ficado recostada em uma poltrona durante a noite, acorda e estica seu corpo enquanto olha pela janela. Já são 7 h e um médico adentra no quarto. Clarisse pergunta sobre o estado de saúde de Alves e percebe um olhar intrigante do médico que exita em responder. Clarisse fica aflita. O médico pergunta se Clarisse é esposa de Alves, assustada e sem pensar ela imediatamente responde que sim, revelando na verdade um desejo que não se concretizou. Então o médico revela para Clarisse que suspeita que Alves está com um problema muito sério no coração e que será necessário que ele fique hospitalizado para realizar alguns exames. Nesse momento, Alves desperta assustado, sem entender o que está acontecendo. Clarisse com os olhos cheios de lágrimas, mal consegue disfarçar seu nervosismo. O médico tenta acalmar Clarisse, lhe oferece água, verifica o seu pulso e após constatar que ela já estava reagindo e melhorando, voltou-se para o Sr. Alves e falou : - O Sr. teve muita sorte, pois o seu desmaio foi apenas um sinal de alerta do seu organismo e nada de mais sério ocorreu. Nossos diagnósticos provisórios são de insuficiência sanguínea cardíaca, mas o Sr. necessita ficar hospitalizado porque somente após uma série de exames poderemos lhe dar um diagnóstico definitivo e o tratamento adequado. Ao ouvir isto o Sr. Alves ficou desesperado, lembrou de Sílvia, precisava de notícias sobre o seu desaparecimento, precisava entrar em contato com a delegacia. Vendo a visível pertubação de Alves achou necessário lhe prescrever uma medicação para lhe tranquilizar. E o Sr. Alves pensava : - Meu Deus ! Eu tenho uma filha ! Vivi todos estes anos sem saber e sem participar da vida de minha filha ! Como será ela ? Por ser rígido em minhas decisões, não dei atenção a Clarisse, quando ela tentou me falar da gravidez ! Quanto sofrimento eu causei ! Onde estará minha filha ? E Sílvia ... minha querida Sílvia ? O que fui fazer ? Agora estou longe de casa, como vou sair deste hospital ? Queria ajudar nas investigações ... O que vou fazer agora ? Não posso estar tão doente assim !

Sr. Alves percebeu que naquele momento não adiantaria nada ficar tão perturbado, pois sua recuperação necessitaria de muito descanso e tranquilidade; coisa que desde o desaparecimento de Silvia ele não tinha mais. Em meio a tantas indagações, acabou adormecendo sem perceber que Clarisse o observava com muito carinho. Sr. Alves sonhou com os números, no sonho Clarisse lhe culpava e dizia:

_ Agora sabes o significado destes números, não sabe? Nunca deveria ter se envolvido com tudo aquilo no ano de 1976, porque foi mexer com pessoas tão importantes? Todos estamos pagando um alto preço por tuas ações.

Clarisse vendo o desespero e o suador de Alves chamou os enfermeiros que o atenderam rapidamente pedindo para ela se ausentar por alguns instantes. Acordou aos gritos e sentiu uma enorme dor no peito, a qual foi aliviando mediante á uma medicação inalada pelo mesmo. Terminado os procedimentos o médico chamou Clarisse e disse à ela que a reação de Alves havia desencadeado uma nova situação.

Clarisse, nem teve coragem, naquele momento, de perguntar que nova situação era esta, apenas se perguntava: Será que cometi um grande erro em contar à Alves sobre a verdade contida durante anos ? Estava ela agora com um enorme sentimento de culpa sobre o que causou ao seu eterno amor!!!

     Clarisse com tantas dúvidas chega a conclusão de que a hora é de esclarecer a situação, embora cause muito sofrimento aos que ela mais ama. Sua primeira ação é encontrar a família de Alves, procurar por sua esposa e avisá-la dos problemas de saúde que ele está enfrentando. Que pela preocupação do médico o diagnóstico não é nada bom.

Ao chegar em casa para tomar um banho e preparar-se para a viagem,Clarisse encontrou o marido,preocupadíssimo,pois voltara de  uma viagem de negócios na noite anterior,três dias antes do previsto.Ao vê-lo Clarisse abraçou-se no marido e chorando muito,contou o que havia acontecido.Pediu sua ajuda para avisar a família de Alves sobre seu estado de saúde. O marido relutou,mas cedeu ao pedido da esposa.Naquela  mesma noite,junto com seu marido, Clarisse viajou para a cidade de Alves. Lá chegando,mesmo cansados, dirigiram-se  imediatamente á casa de Alves.Clarisse estava muito apreensiva e insegura de entrar assim na vida particular de seu antigo amor, mas sabia que era necessário.  Foram recebidos por Leila,que ao ver os dois á sua porta logo  reconheceu Clarisse  e teve uma reação não prevista pela antiga rival.

-Clarisse? ... É você?Quanto tempo. Que hora tão triste para reencontrá-la! Não sabes o que temos passado nestes últimos dias! Chorando abraçou-a como que tentando buscar algum conforto nos braços daquela que tinha sido o grande amor de seu marido.
Clarisse perplexa deixou-se envolver pela pedido de ajuda daquela que parecia ter que suportar mais um golpe na sua já atual fragilidade. Abraçou-a e juntas sentaram como que necessitassem uma da outra mesmo sem saber o que estava por vir e que talvez viesse a se tornar mais um motivo de união das duas.
Apresentou seu marido à Leila e começou a contar-lhe o que havia acontecido com o sr. Alves e as desconfianças do médico que o estava atendendo. Sentia que Leila, conforme ia ouvindo, estava ficando cada vez mais pálida e procurou acalmá-la e se dispôs a levá-la até o hospital onde ele estava internado.
Leila se organizou rápidamente para acompanha-los. Sabia que iria ficar fora por alguns dias e antes teria que deixar seu filho menor atendido.Pediu ajuda a uma grande amiga,sua vizinha antiga que se prontificou a atende-lo durante sua ausência.Tranquila em relação a isto e sabendo que qualquer coisa a mesma entraria em contato com ela pelo celular.Convesou muito com Pedro dando a ele conselhos para que se cuidasse e obedecesse prontamente a tudo que ela dissesse.
Juntos, Leila, Clarisse e o esposo,depois de tudo encaminhado,pegaram novamente a estrada rumo a cidade de Clarisse.Logo que chegaram  dirigiram-se ao hospital, cada um com os seus pensamentos, mas com a sensação que mais emoções estariam  a sua espera .
Já na porta no quarto, o marido de Clarisse disse que estaria esperando na sala do fim do corredor e as duas de mãos dadas como num gesto de apoio mútuo, entraram causando espanto para Alves que descansava em meio aos lençóis alvos da instituição.
Aquele ambiente silencioso, asséptico, propiciava um exame de consciência retornando ao passado. Os três mantinham-se calados na esperança que o outro desse um desfecho para aquela situação. 
O silêncio entre eles era algo que incomodava não tinha mais espaço para histórias inventadas, alguém teria que falar a verdade.
O Sr. Alves desesperadamente pede ajuda a esposa.
- Fale tudo o que sabe sobre Clarisse, tudo aquilo que eu não sei? - Esta situação de silêncio e interrogações está acabando com nosso casamento. 
Leila apavorada começa a chorar, e num gesto de humildade pede perdão ao marido e a Clarisse.
- Eu não agüento mais esta tortura, tudo que fiz foi para sermos felizes meu amor. - Passaram-se tantos anos...e eu continuo te amando muito...tenho medo que essa revelação nos afaste... também não sei se você está preparado para ouvir a verdade... além do mais está se recuperando... internado em um hospital.
- Qualquer coisa é melhor do que essa aflição, eu preciso saber de tudo. Que segredo é esse?- Me conta. Tem alguma coisa a ver com o desaparecimento de Silvia?- Fala Leila.
Leila em prantos e num gesto de desespero pergunta ao Sr. Alves e a Clarisse se eles juram que se ela contar tudo que ela sabe, eles a perdoam. O silêncio invade o quarto e os olhares se cruzam, o que aumenta ainda mais o desespero de Leila.

Leila, então emocionada decide falar toda a verdade.

- Desde que Silvia apareceu pela primeira vez em nossa casa, eu já sabia que ela era filha do fruto do amor entre você e Clarisse.

Todos ficam espantados com a declaração de Leila e ao mesmo tempo aliviados em saber o grande segredo que ela guardou por todos esses anos. 

- A revelação caiu como uma bomba, o sr. Alves não entendia porque Leila não lhe falara nada por todos esses anos, nutria um sentimento especial por Silvia é verdade, mas como imaginar que ela era sua filha verdadeira?Isso deixo-o ainda mais aflito, o que fazer agora? Afinal, descobrira que silvia é sua filha com seu grande amor do passado, e não pode sequer abraçá-la e lhe contar a verdade, e , Clarisse que descobrira sua filha, e a perdera outra vez, todos se olhavam num silêncio profundo como se não acreditassem no que o destino lhes reservara.

Será que Silvia havia descoberto a verdade e resolvera fugir,punindo a todos ?E quem era na realidade Julio,ele teria algo a ver com o sumiço da moça.O quebra cabeça ainda estava longe do desfecho. Enquanto isso no apartamento da família Alves toca o telefone, Pedro que está em casa sozinho atende.

- Alô!

- Quem é?

O silêncio do outro lado da linha é assustador.

Então Pedro fala:

- Alô, é você Silvia, fale comigo, estamos todos muito preocupados.  

Neste momento o telefone é desligado e Pedro leva um susto ao ouvir o toque da campainha.Quando abre a porta encontra Júlio,com o rosto pálido e olhos vermelhos ,como os de alguém que muito chorou.

-O que houve com você Júlio?

-Pedro diga-me a verdade! Sílvia não era filha de quem pensávamos?Passei anos tentando me vingar de tudo que passei.E agora percebo que foi tudo em vão...percebi o amor que tenho por Silvia...preciso encontrá-la..

Um pouco cansado de estar sentado, debruçado sobre o papel amarelo, Ivan, o bibliotecário pensou:

"Eis uma história confusa que merece um pouco mais de detalhamento e, quem sabe, partindo-a em alguns fragmentos, não possa reescrevê-la, transformando os fragmentos em capítulos e a união dos capítulos num maravilhoso romance?"

Ainda com as pontas do livro entre os dedos, Ivan levanta e se dirige à prateleira, na direção exata do lugar  onde havia  tirado aquele calhamaço. Levantou o braço esquerdo e, com as pontas dos dedos abriu espaço entre os livros empoeirados, enfiando o exemplar novamente no seu lugar.

"Não devo esquecer o título destes manuscritos. Talvez tenha sido isto o que eu vinha procurando. Provocações, apenas provocações que me façam escrever o meu derradeiro livro".

Colocado o livro na prateleira, Ivan volta-se para a mesa e anota no seu caderno de notas os dados essênciais para continuar a pesquisa no dia posterior."Ora, números misteriosos, filhos que não são filhos, quanta informação. Amanhã, amanhã eu retomo". Buscou a maçaneta e saiu para o sol que iluminava uma calçada cheia de transeuntes. "Amanhã", pensou sorridente uma última vez.

 

 

Silvia sorri e olha a tela do computador. Reflete que, há meses atrás, não imaginaria que seria capaz de criar uma história como esta. O desafio foi lançado na noite em que Júlio fora apresentado aos seus tios: em volta da mesa de jantar, todos tinham curiosidade em saber sobre o trabalho de Júlio. Um escritor famoso como ele poderia falar horas sobre suas obras. E a família Alves, tinha interesse nisso pois admirava seus romances. Rindo, Júlio dissera que sua maior e melhor obra era ter conquistado a moça de olhos inquietantes que, certamente, seria sua esposa: Sílvia.

O caçula da família insistia:- Mas Júlio...é facil escrever um livro? Eu posso fazer? Me tornar famoso?

- Pedro, o mais fácil é começar contando uma história. Todos somos capazes de fazer isso. Depois, se você quiser tem que trabalhar esse desejo...

Sílvia, retrucou que jamais teria condições de fazê-lo. E foi, neste momento, que Júlio a desafiou: -Querida, imagine as pessoas desta sala, imagine que todos nós somos personagens de uma trama...policial, por exemplo. Conte alguma coisa...escreva um pouquinho, todos os dias...

Silvia aceitou o desafio e nos meses que se passaram escreveu frases soltas, parágrafos, reescreveu, desistiu da escrita, retomou-a e, enfim, começou a ficar instigada pelo que contava. Percebeu que tudo o que escrevia poderia e deveria ser lapidado como uma pedra. E que gostava de fazer isso.

Os olhos amorosamente rotulados de inquietantes vagueiam pelo quarto. Observam as fotos dos tios e primo sobre a cômoda, a caixa de música que ganhara de seus tios quando fizera 25 anos  e que, agora, guardava os 76 pedacinhos de um quebra-cabeça que lhe fora enviado por Júlio. Ao completar o quebra-cabeça lera o que já sabia: "Eu te amo, Silvia. Júlio."

Sorri, cerra as pálpebras e relembra , mais uma vez do que seu tio lhe dissera: -Filha, se vovê tem certeza, vá em frente: case, tenha filhos, seja feliz com esse homem. Esse homem, que a está roubando de nós... Gostamos dele, na verdade. Ele é bem-vindo.

O Sr Alves, naquele momento, abriu uma pequena caixa e, de dentro , tirou uma placa com um número gravado.

-Filha, pode achar loucura mas, neste último mês fui várias vezes até a frente de sua nova casa. Descobri, depois de muitos caminhos, que o que vai nos separar são apenas 81 km.  Distância física, apenas. Silvia, esses 81 km não vão afastá-la de nós. O amor que sentimos por você se desloca com a velocidade da luz. Não se esqueça. E percorra o caminho de volta, sempre que achar necessário.

Silvia suspira e encerra suas lembranças. Desliga o computador , depois de ter feito uma cópia de sua incrível tentativa de trama policial. Depois de algum tempo, talvez ainda na sua lua de mel, mostrará ao marido o resultado de seu desafio. Darão boas risadas e começarão outra história: desta vez, de amor.

O som das badaladas de um relógio- cuco acompanha os movimentos sonolentos de Sílvia. Já deitada, na cama ela olha o vestido de noiva que repousa sobre a poltrona de seu quarto. Seu casamento será em poucas horas. Agora, é tempo de dormir e sonhar com o novo dia de sua nova vida.

 

 

Em sua casa, Ivan adormeceu profundamente. Após algumas horas acordou com algumas idéias... que poderiam começar com um toque insistente de um celular...

 

"Meio sonolenta, Sílvia atende e a voz masculina do outro lado da linha diz: - Tenho uma revelação a lhe fazer que mudará  sua vida.

A revelação feita foi de que ela era filha legítima do Sr. Alves com uma mulher de família abastada.

Ela, atônita, levanta-se, arruma sua cama e sobre ela, coloca seu vestido de noiva.

Sem fazer barulho, sai sem destino certo para refletir sobre o que ouvira.

"Eu!!!!.... A sobrinha amada por todos!!!A preferida da família Alves!!!Sou a filha...a primogênita...Meu Deus!!! O que vou dizer à  minha tia...ou  melhor...minha madrasta!!! Essa revelação não poderia ter acontecido hoje...

Desesperada Silvia vai até a garagem, entra no seu carro e sai sem destino. Após rodar alguns quilômetros, estacionou o  carro no calçadão e seguiu caminhando pela areia, tentando colocar seus pensamentos em ordem. Era um dia lindo de uma manhã de verão. Começou a lembrar de tudo que vivera até aquele instante, foi quando aproximou-se dela Fábio, amigo de Júlio. O rapaz fez com que ela se acalmasse e encorajou-se para falar que já sabia o motivo pelo qual ela estava tão transtornada. Fábio assumiu ser o responsável pelo telefonema e que teria revelações a lhe fazer.

- Silvia, eu te amo, e por te amar imensamente, não posso admitir que seja enganada por Júlio, ele tem um plano de vingança e faz ameaças à Leila.

Silvia assustada com as revelações que Fábio lhe fizera, responde com voz tremula: - Nunca imaginei que isso pudesse estar acontecendo comigo, pois sempre fomos uma família que aparentemente não tínhamos segredos. 

- Só tenho uma dúvida como ficou sabendo de toda essa história, Fábio?

-Creio que aqui não é o melhor lugar para conversarmos, vamos até minha casa. No caminho Fábio contou que era filho do investigador Adamastor, e que ele já investigava o caso desde o primeiro desaparecimento de Silvia. Mesmo com   pensamentos e sentimentos em total confusão, Silvia percebeu que não poderia continuar com aquela farsa, que era seu casamento com Júlio. Tomou a decisão de reunir a família e exigir esclarecimentos sobre sua verdadeira identidade, e contar sobre o plano de Júlio.

Depois de escutar tudo que Fábio tinha para contar, Sílvia tomou a decisão de reunir a família e exigir esclarecimentos sobre sua verdadeira identidade e contar sobre o plano de vingança de Júlio.

Quando se preparava para o retorno, ficou sabendo do estado de saúde de seu tio, ou melhor, de seu pai, e foi vê-lo no hospital.

 Chegando lá, se deparou com Leila e um casal, ao olhar para a mulher teve a sensação de já conhecê-la. Foi ao encontro do tio, que amava muito, mesmo antes de saber que era seu pai. Alves ficou muito emocionado com o retorno de Sílvia, olhava para ela de maneira mais carinhosa do que nunca.  Leila e Clarisse se olharam e choraram silenciosamente. Leila sentiu remorso por tirar a oportunidade de Clarisse ver sua filha crescer, e esta por finalmente reencontrar a filha após tantos anos de procura.

   Mesmo com o estado delicado de Alves, Leila decidiu finalmente tomar uma atitude digna e contou tudo a Silvia. Sílvia chorou e abraçou sua mãe verdadeira calorosamente.

    Depois voltou-se para Alves e disse:

    - Você sempre foi um pai de verdade. Eu te amo!

    No abraço carinhoso de Silvia, Alves morre....

    Sílvia se revolta, agora que sabia de toda a verdade, perdia seu pai e estava outra vez sem rumo tendo que resolver tudo com Júlio e enfrentar seu plano de vingança.

    Mas agora o plano de vingança seria dela,primeiro acertaria as contas com Leila e depois com Júlio,não...não poderia perdoá-los! Porém agora era hora de sepultar seu amado pai, esse amor era a única coisa que Silvia considerava verdadeira em sua vida! Sempre teve um carinho muito grande por Alves, seu tio querido e dedicado, sonhara muitas vezes em ter um pai como ele. Que ironia do destino, ela que viveu sempre a procura do seu pai, sonhando em conhecê-lo,  em abraça-lo e chama-lo de pai, jamais imaginou  que na verdade ele esteve sempre ao seu lado. Clarisse tenta consolar Sílvia que chora desesperadamente. Leila também não contém o choro, sente-se culpada pela morte de Alves.

   Sempre amou Alves, nunca pensou que a verdade surgisse desta forma, levando embora o grande amor de sua vida. Não queria que Sílvia a odiasse, mesmo sabendo que ela tem muitas razões para isso. Tentaria ajudar Silvia a encontrar Júlio mesmo que isso a prejudicasse. É o mínimo que poderia fazer por Alves e Sílvia.Isto parece um pesadelo, um castigo.

      Durante o enterro de Alves, Júlio escondido assiste a tudo, ao lado de Sílvia está Pedro. Júlio fica muito irritado pois ele é quem deveria estar ocupando aquele lugar, então aparece.

         Sílvia ao ver Júlio grita:

         - Conseguiu o que queria! Ele está morto! Não precisa mais de mim para executar seu plano sujo!

         - Nosso plano!Não é Leila?

         Julio olha para Leila que parece sentir-se mal, e continua:

         -Não adianta desmaiar eu vou contar tudo!

        - Não aqui não júlio!

        Mesmo com Leila implorando não adianta, Julio começa a falar:

        - Eu e Leila somos amantes, não queriamos que Sílvia soubesse da verdade porque ela é a única herdeira de Alves que recebeu a herança de uma tia mas nunca soube, porque Leila, resolveu tudo pessoalmente e em sigilo após receber uma carta a dez anos, porém a herança só seria entregue para Alves ou para seus filhos, e ela pretandia apresentar seu suposto irmão, meu filho, pois ainda é dependente de um adulto.

        - Mas agora Sílvia estou apaixonado por você e não quero mais continuar com este plano de Leila. Quero terminar tudo , agora Leila!

Todos ficaram perplexos diante da revelação. Leila tentou negar tudo, mas era inútil, finalmente sua máscara havia caido."

 

 

Pedro observa pelo retângulo envidraçado de seu quarto. No pátio, todos reunidos comemorando o grande dia. Seus pais, seus amigos, Karina, sua esposa, seus filhos, sua prima Sílvia, Júlio...

O tempo não foi cruel com sua família. Permitiu que as rugas chegassem para todos trazendo  felicidade, conquistas e sabedoria. Do dia em que seu destino  profissional fora traçado até o momento, mais de duas décadas haviam passado. Na grama abaixo, Sílvia abraça o marido Júlio. Ambos olham para a janela e acenam , convidando Pedro a descer.Ele sorri e faz sinal de que em breve, estará com todos.

Pedro comemora o sucesso de seu mais recente romance policial. Até hoje, relembra da noite em que seu cunhado, também escritor, lançara um desafio à Silvia, durante o jantar em que fora apresentado à família Alves: naquela noite, além de responder às perguntas de um pequeno e insistente Pedro,estimulara a namorada a escrever um pouco, todos os dias, de forma que uma história pudesse ser contada.

Silvia tentara, é verdade, mas desistira no meio do caminho, exatamente quando tornara seus escritos, públicos para a família. Neste dia percebeu que seu talento literário não poderia competir com as argumentações e idéias de outras pessoas, por mais queridas que fossem.

Mas Pedro recolhera os escritos da prima e começara a brincar. Deu continuidade( ou, pelo menos, fora isso que pensara) à história inventada por Silvia, sobre personagens a partir da família Alves. De início, tropegamente, caindo em contradições, esquecendo e trocando nomes de personagens, lugares, tornando, várias vezes, a história um emaranhado de parágrafos.

Mas Júlio lhe afirmara que , depois de confirmar o desejo de contar uma história, deveria trabalhá-la. E foi o que Pedro fez durante anos:  jamais deixou que a imaginação tirasse férias. Escreveu, reescreveu, leu para si, para outros, buscou críticas, conselhos e sempre persistiu. Os escritos "emaranhados" foram guardados por sua esposa, como um troféu, em uma caixa sobre a lareira de sua casa. Gravados na tampa da caixa os números que serão passados a cada geração da família, talvez, com uma história e justificativa diferentes:25, 76, 81.

Agora, Pedro ri. Já nem sabe o que é ficçao ou realidade; quem inventou aquela história? Seu pai, Sílvia, Júlio ou ele próprio? Na verdade, não importa...

O fato é que o caçula da família cresceu, tornou-se homem, pai, mas nunca deixou de brincar com as idéias. Pedro se afasta da janela e sai do quarto. Já começa a pensar em nova trama para outro livro.Desce as escadas em direção ao pátio onde o esperam.  Deixará as idéias para depois.Como diria um de seus primeiros personagens: "Amanhã, amanhã eu retomo. Amanhã -pensou sorridente- uma  última vez."

Comments (35)

Anonymous said

at 12:01 am on Sep 15, 2007

Aqui podemos negociar o título da história. Ele pode ser pensado e sugerido agora ou podemos deixar para mais adiante, quando o rumo da narrativa já estiver mais claro.
Bom trabalho a todos, Bea e Iris

Anonymous said

at 7:52 pm on Sep 16, 2007

Que tal o caminho dado??
Quanto ao título, acho melhor escolhermos depois...

Anonymous said

at 11:28 am on Sep 17, 2007

Instigante!!!!

Anonymous said

at 2:56 pm on Sep 17, 2007

SOS!!! Tentei colar minha colaboração desta história e não consegui colocar na sequência, se alguém sabe fazer isso sinta-se à vontade "Por favor", bjs

Anonymous said

at 3:12 pm on Sep 17, 2007

Olá, Elisângela! Já coloquei na ordem. Para dar continuidade ao texto é só seguir escrevendo depois do último parágrafo. Não sei porque teu parágrafo e o da Luciene foram parar no topo. :)))

Anonymous said

at 4:45 pm on Sep 17, 2007

Pessoal, soou a campanhia do telefone ou da porta???? Não entendi...

Anonymous said

at 6:49 pm on Sep 17, 2007

oi, Ivana! Foi o interfone! Beijocas.

Anonymous said

at 7:10 pm on Sep 17, 2007

Oi, pessoal! Penso que é bem legal verificarmos em que tempo a história está sendo narrada para que não misturemos passado e presente. Algumas questões são bem oportunas de relembrar: do jeito que o noivo chegou na casa parecia não estar nada confuso, ao contrário: ele tinha um dado a mais, algo que a família não sabia. Podemos imaginar a sala de uma casa e estas pessoas: Júlio, o noivo, Pedro, o caçula, Leila , a mãe, e Sr. Alves, o pai.Como é cada um deles? Quais suas histórias, segredos?O que cada um deseja? Não que tenhamos que escrever sobre tudo isso mas "pensar sobre" fará com que nossa história se torne mais verosímil, não acham? Bem, espero ter contribuido de alguma forma....

Anonymous said

at 8:55 pm on Sep 17, 2007

Gente, eles não são tios??? A Silvia não é a sobrinha predileta???
Puxa, acho que estou mais confusa agora...

Anonymous said

at 8:59 pm on Sep 17, 2007

Ivana querida, a família Alves é composta de mãe, pai e filho...e tbm Sílvia, a sobrinha. Quando falei deles estava referindo-me ao parentesco das pessoas que estavam na sala. Não fique confusa, modifique o que achar importante e necessário... Beijocas.

Anonymous said

at 10:31 am on Sep 18, 2007

Pessoal! O que acham de (re)ler a história verificando seu encadeamento e lógica, antes de seguir adiante?

Anonymous said

at 11:00 am on Sep 19, 2007

Oi, pessoal. Achei que poderíamos colocar algumas imagens que fossem significativas para a história e que não procurassem enquadrar os personagens em algum tipo físico, por exemplo. Então, procurei colocar imagem dos números e do bilhete. O que acham?

Anonymous said

at 1:46 pm on Sep 20, 2007

Acho que não entendi a proposta do trabalho.Pensei que deveriamos fazer em torno de três contribuições fossem no início, no meio e fim da história. Sendo elas com novas informações ou continuando logicamente as idéias anteriores ou ainda fazer ajustes no texto que achasse apropriado e/ou necessário. Reparei que isto não tem sido observado.Me corrigam se entendi errado.Estou confusa.

Anonymous said

at 5:46 pm on Sep 20, 2007

Estou adorando todo este mistério.Vcs sabem onde está Silvia?Me digam ,olha não conto a ninguém,tá. hahahahahah

Anonymous said

at 12:23 am on Sep 21, 2007

Ao ler o texto para fazer minha contribuição, percebi que foi tirado do início a referência a mega sena, no entanto, algum colega no meio coloca algo sobre o acerto dos números da mega. Acho que alguém se perdeu no meio dessa história.

Anonymous said

at 2:31 pm on Sep 21, 2007

[http://www.eco.unicamp.br/artigos/artigo166.htm]
Talvez, possa nos auxiliar...

Anonymous said

at 6:42 pm on Sep 21, 2007

Ana não esqueça que é prá isso mesmo, se achar algo estranho pode modificar, afinal a história é nossa.

Anonymous said

at 1:41 am on Sep 22, 2007

Estou amando este mistério todo. Isso pode terminar num Best Sellers. Vamos contribuir que está muito bom!!!
Bjs

Anonymous said

at 12:26 pm on Sep 23, 2007

Afinal onde está Sílvia??(quem matou Tahís??) há sempre um bom mistério no ar...nas histórias policiais e em minha opinião sempre dão mais trabalho para o autor,pois tem que saber enrolar bem a trama do enrerdo para conseguir fazer o leitor se prender ao mistério,ficar envolvido por ele..mas sem dúvida é também bem mais gostoso de ler.
bjs a todos..e quem desvedará o paradeiro de nossa querida Sílvia??

Anonymous said

at 7:57 pm on Sep 23, 2007

Gente do céu,onde é que vai parar essa história?
Mas acho que com essa parte final está próximo de se conhecer o "the end"da nossa trama policial.Quem dará o desfecho final?

Anonymous said

at 8:32 pm on Sep 23, 2007

A peça fundamental desse quebra cabeça está bem próxima de ser desvendada. Onde estará Sílvia? Será que está viva? Onde e com quem?

Anonymous said

at 10:44 pm on Sep 23, 2007

E agora será que o desaparecimento de Silvia tem a ver com a filha de Alves e Clarice ?

Anonymous said

at 11:54 pm on Sep 23, 2007

Calma! Calma! Sílvia surtou, pois descobriu que o noivo roncava.rsrsrs Na verdade, quero saber onde está o final desta história.Eu e minhas filhas já estamos investigando.
Sívia!! Se você passar por esta lista de comentários,por favor,deixe uma pista! Vamos rezar para que tudo esteja bem!
Bjs

Anonymous said

at 8:37 pm on Sep 27, 2007

A história está bem legal,mas não acham que está meio enrolada?
com tanto mistério,achei meio confusa.

Anonymous said

at 3:39 pm on Sep 28, 2007

Oi Pessoal, li a história e adorei!! Nossa!! É evidente o crescimento da escrita!! Também fiquei bem impressionada pela lógica das argumentações e explicações para os fatos e a riqueza de evidências que indicam os caminhos. Fica bem marcado que os co-escritores respeitam a linha de roteiro e o vão construindo junto. Notei, tb, que há aqueles que fizeram o papel de "limpadores e organizadores de texto", papel muito importante e necessário para manter a coerência interna da história. Para todos nós é importante a necessidade sempre de se reler a história toda para então dar continuidade a mesma. O bom é deixar alguns fios pendurados que podem ser retomados muito depois, o que aumenta o suspense. Eu assisti uma entrevista com o Gilberto Braga ( quem matou a Thais?) onde ele diz que ele tem na trama mais ou menos 6 histórias paralelas e que, sempre deixa 3 em banho-maria e 3 ele desenvolve, e depois faz o movimento contrário. Isso significa sempre deixar pontas para voltar. Isso é sensacional!! Eu, inclusive, notei que há várias pontas penduradas e outras já desvendadas na história de vocês. O único senão é a não participação de todos os alunos. Pena, porque eles é que se prejudicam, deixando de participar de um processo de criação fantástico!! Um abração
Bea

Anonymous said

at 3:24 am on Sep 30, 2007

Uau!
Entrei li tudo , já estou vesga pois sao 3 da matina. Arrumei umas frases e não consigo ligar fios para esta trama...pensarei e amanha sigo.

Anonymous said

at 10:36 pm on Oct 1, 2007

Estou louca para saber o desfecho da nossa história.

Anonymous said

at 10:07 pm on Oct 2, 2007

Esta trama está mais atrativa do que a da novela...Quem matou Tais,quem sumiu com Silvia????

Anonymous said

at 11:05 am on Oct 3, 2007

Gente, hoje li de novo e pércebi uma incoêrencia quanto `a localização da casa da Clarisse, do hospital e da casa do Sr Alves. Quem perceber, ´pode reformular?
Um abração
Bea

Anonymous said

at 3:42 pm on Oct 4, 2007

Oi pessoal!
Essa história está tão longa que até já desisti de escrever nela,mas adorei todas. Um abraço Marion

Anonymous said

at 12:55 pm on Oct 5, 2007

A estória começa a fazer sentido.Temos que ter muito cuidado ao inserir fatos.Devemos antes ler tudo que foi escrito pois tudo tem que fazer sentido para obtemos um final adequado para este desaparecimento.

Anonymous said

at 8:43 pm on Oct 7, 2007

Olha pode parecer loucura,mas não entendi a inserção de Ivan nesta estória.Alguém pode me explicar.A mim parece que ele entrou de cabeça,está completamente desvinculado do resto.Como fazer ele ter sentido?

Anonymous said

at 12:04 pm on Oct 8, 2007

Oi Selva, concordo contigo. Primeiro pensei que era o Ivan que estava lendo alguns manuscritos. Mas depois é a Silvia. Gostei inclusive da idéia de ser a Silvia que estava lendo manuscritos e criando a história. Assim, nem precisaríamos de um final pois ele ainda estava por ser criado. Mas, de repente, tudo volta atrás e lá está a Silvia no hospital... A biblioteca então ficou completamente sem sentido.
Acho que precisamos dar um fim melhor!! O Ivan ficou completamente deslocado.
Um abração
Bea

Anonymous said

at 8:20 pm on Oct 12, 2007

Oi, pessoal. Li e reli a história e tentei encontrar uma sequência com uma certa lógica, a partir do que foi acrescentado nos últimos dias.Vamos ver no que dá...rs

Anonymous said

at 3:12 pm on Oct 15, 2007

Acho que, como marinheiros de primeira viagem até que nos saimos bem. Claroq ue o Ivan ficou e a biblioteca tb. Vejam que a tal da história está guardada pela esposa do Pedro em cima da lareira e, portanto, não poderia estar na bibloteca.Que tal "matarmos o Ivan"?
Um abraço
Bea

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